quinta-feira, 5 de junho de 2014

As vadias tem que marchar





Dia 31 de maio, sábado, fui ás ruas, rolou a Marcha das Vadias-Recife. Fiquei muito orgulhoso de mim mesmo, do meu bom  senso, da minha vontade de sair pela rua, usando minha voz pra expôr meu ponto de vista sobre coisas  absurdas da atualidade. Foi muito importante pra mim, foi arrebatador, lindo, maravilhoso, surreal. Ninguém olhava pra mim estranho, com indiferença, eu pulava, eu gritava. Me senti tão livre, me senti tão especial em estar participando daquilo. Nenhuma pessoa zombava da minha magreza e da minha homossexualidade. Eu me senti infinto. 

A luta é todo dia, bem maior do que as pessoas pensam! Reprimem a sexualidade da mulher, tratam ela como um verdadeiro lixo, isso tem que mudar. Isso é só porque exercem sua sexualidade livremente, aí são chamadas de vagabas, putinhas e vadias. Eu sou uma vadia então. Na verdade todos que buscam a liberdade, ou já são livres, são vadias. Não tem nada mais legal, gostoso, bonito, do que ser livre, ser feliz com seu corpo e suas escolhas. 

Até lá, será um grande processo para as pessoas finalmente mudarem, finalmente pararem de ser bundonas e machistas. E nessa caminhada, continuarei "marchando" contra esses ogros e apoiando todas as mulheres, todas as que querem ou já são vadias. 

No sábado, quando a marcha acabou, fui assaltado. Uma experiência extremamente chata, fiquei muito triste e em choque. Uma grande lástima. Mas não ouso abrir minha boca e dizer que preferia ter ficado em casa e não ter ido marchar. Fora que fiz três amigos novos! 

Assaltaram meu celular, as fotos da marcha foram junto, mas tá tudo guardado na minha cabeça. Não me arrependo de nadinha do que fiz no sábado. O celular se foi, as memórias boas permaneceram. 



Fotos: Camilla Miignon. 

Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba. Meus desenhos de batom e os de tinta do outro lado, feitos por minha melhor amiga Izabela. O motorista quis tentar embassar a marcha, resolvemos espalhar a "vadiagem" para ele. 

Seja puta, seja vadia, seja livre! Beijo.